terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

José António Saraiva disse...




O PROCESSO chamado 'Face Oculta' tem as suas raízes longínquas num fenómeno que podemos designar por 'deslumbramento'.

Muitos dos envolvidos no caso, a começar por Armando Vara, são pessoas nascidas na Província que vieram para Lisboa, ascenderam a cargos políticos de relevo e se deslumbraram.

Deslumbraram-se, para começar, com o poder em si próprio. Com o facto de mandarem, com os cargos que podiam distribuir pelos amigos, com a subserviência de muitos subordinados, com as mordomias, com os carros pretos de luxo, com os chauffeurs, com os salões, com os novos conhecimentos.

Deslumbraram-se, depois, com a cidade. Com a dimensão da cidade, com o luxo da cidade, com as luzes da cidade, com os divertimentos da cidade, com as mulheres da cidade.

ORA, para homens que até aí tinham vivido sempre na Província, que até aí tinham uma existência obscura, limitada, ligados às estruturas partidárias locais, este salto simultâneo para o poder político e para a cidade representou um cocktail explosivo.

As suas vidas mudaram por completo.

Para eles, tudo era novo - tudo era deslumbrante.

Era verdadeiramente um conto de fadas - só que aqui o príncipe encantado não era um jovem vestido de cetim mas o poder e aquilo que ele proporcionava.

Não é difícil perceber que quem viveu esse sonho se tenha deixado perturbar.

CURIOSAMENTE, várias pessoas ligadas a este processo 'Face Oculta' (e também ao 'caso Freeport') entraram na política pela mão de António Guterres, integrando os seus Governos.

Armando Vara começou por ser secretário de Estado da Administração Interna, José Sócrates foi secretário de Estado do Ambiente, José Penedos foi secretário de Estado da Defesa e da Energia, Rui Gonçalves foi secretário de Estado do Ambiente.

Todos eles tiveram um percurso idêntico.

E alguns, como Vara e Sócrates, pareciam irmãos siameses: Naturais de Trás-os-Montes, vieram para o poder em Lisboa, inscreveram-se na universidade, licenciaram-se ?!!, frequentaram mestrados.

Sentindo-se talvez estranhos na capital, procuraram o reconhecimento da instituição universitária como uma forma de afirmação pessoal e de legitimação do estatuto.

A QUESTÃO que agora se põe é a seguinte: por que razão estas pessoas apareceram todas na política ao mais alto nível pela mão de António Guterres?

A explicação pode estar na mudança de agulha que Guterres levou a cabo no Partido Socialista.

Guterres queria um PS menos ideológico, um PS mais pragmático, mais terra-a-terra.

Ora estes homens tinham essas qualidades: eram despachados, pragmáticos, activos, desenrascados.

E isso proporcionou-lhes uma ascensão constante nos meandros do poder.

Só que, a par dessas inegáveis qualidades, tinham também defeitos.

Alguns eram atrevidos em excesso.

E esse atrevimento foi potenciado pelo tal deslumbramento da cidade e pela ascensão meteórica.

QUANDO o PS perdeu o poder, estes homens ficaram momentaneamente desocupados.

Mas, quando o recuperaram, quiseram ocupá-lo a sério.

Montaram uma rede para tomar o Estado.

José Sócrates ficou no topo, como primeiro-ministro, Armando Vara tornou-se o homem forte do banco do Estado - a CGD -, com ligação directa ao primeiro-ministro, José Penedos tornou-se presidente da Rede Eléctrica Nacional, etc.

Ou seja, alguns secretários de Estado do tempo de Guterres, aqueles homens vindos da Província e deslumbrados com Lisboa, eram agora senhores do país.

MAS, para isso ser efectivo, perceberam que havia uma questão decisiva: o controlo da comunicação social.

Obstinaram-se, assim, nessa cruzada.

A RTP não constituía preocupação, pois sendo dependente do Governo nunca se portaria muito mal.

Os privados acabaram por ser as primeiras vítimas.

O Diário Económico, que estava fora de controlo e era consumido pelas elites, mudou de mãos e foi domesticado.

O SOL foi objecto de chantagem e de uma tentativa de estrangulamento através do BCP (liderado em boa parte por Armando Vara).

A TVI, depois de uma tentativa falhada de compra por parte da PT, foi objecto de uma 'OPA', que determinou a saída de José Eduardo Moniz e o afastamento dos ecrãs de Manuela Moura Guedes.

O director do Público foi atacado em público por Sócrates - e, apesar da tão propalada independência do patrão Belmiro de Azevedo, acabou por ser substituído.

A Controlinvest, de Joaquim Oliveira (que detém o JN, o DN, o 24 Horas, a TSF) está financeiramente dependente do BCP, que por sua vez depende do Governo.

SUCEDE que, na sua ascensão política, social e económica, no seu deslumbramento, algumas destas pessoas de quem temos vindo a falar foram deixando rabos de palha.

É quase inevitável que assim aconteça.

O caso da Universidade Independente, o Freeport, agora o 'Face Oculta', são exemplos disso - e exemplos importantes da rede de interesses que foi sendo montada para preservar o poder, obter financiamentos partidários e promover a ascensão social e o enriquecimento de alguns dos seus membros.

É isso que agora a Justiça está a tentar desmontar: essa rede de interesses criada por esse grupo em que se incluem vários "boys" de Guterres.

Consegui-lo-á?


Não deixa de ser triste, entretanto, ver como está a acabar esta história para alguns senhores que um dia se deslumbraram com a grande cidade.

Esta é a forma mais eloquente de definir um parolo provinciano com tiques de malandro, mas sempre de mão estendida, pior que os arrumadores que uma vez na vida se revelam minimamente úteis independentemente do ar miserável como se apresentam e se comportam quando não se lhes dá a famigerada moedinha
.

PS . Neste perfil cabem tambem O Dias Loureiro , o Oliveira Costa (BPN) , O Rendeiro (BPP) e muitos gestores públicos e gabinetes de advogados que vendem o País por meia duzia de tostões e que são deputados da Assembleia da República , onde controlam o poder legislativo em benefício de interesses particulares . A dificuladade de aprovar legislação anticorrupção é um exemplo paradigmatico .

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Ministra da EDUCAÇÃO!...



Quem é Maria Isabel Girão de Melo Veiga Vilar, perguntam vocês?

Não sabem mas já a começam a conhecer bem, é a nova Ministra da Educação Isabel Alçada. Temos por isso uma Ministra que governa sob pseudónimo como pode ser comprovado no próprio site do governo.

Assim, preserva-se a tal Maria Isabel Girão de Melo Veiga Vilar para futuramente poder ser chamada para Ministra da Agricultura sob o pseudónimo de Isabel Inchada, ou Ministra das Obras públicas como Isabel Alcatroada ou outro Ministério qualquer sob outro pseudónimo qualquer. Assim, na realidade a Ministra não existe porque a Isabel Alçada também não. É uma invenção

Proponho mesmo ao Engenheiro que, quando o seu nome já estiver tão sujo de andar pela lama dos casos de corrupção e das aldrabices em licenciaturas, e não só, assim com pela merda que fez no governo, concorra às eleições como José Platão ou mesmo João Aristóteles. (Não recomendo José Nietzsche, João Kant e Manuel Kierkegaard porque são nomes que não ficam

terça-feira, 20 de outubro de 2009

ENFIM, ANÚNCIOS!

Já não recebia um pedido tão ternurento como este, publicado num Jornal da Mealhada, desde o dia em que a minha senhora me injuriou com recurso à utilização de vernáculo hediondo, só porque eu lhe entrei pela casa dentro com as galochas da vacaria cheias de estrume, deixando o tapete da entrada mais asqueroso que uma bacia de retenção repleta de moscas em tarde de sol intenso.

A minha relação com os anónimos é mais ou menos a mesma que tenho com a minha senhora. Detestamo-nos, mas não conseguimos passar uns sem os outros. Pelo menos, alguns anónimos. Porque outros, durmo bem sem eles e eles fecundam melhor sem mim.
Não posso esconder que me senti lisonjeado com este anúncio. Por 3 razões:

Razão 1-devo ser o 1º e único blogueiro mealhadense a quem pedem para continuar, enquanto aos outros pedem-lhes para parar;


Razão 2-meteram o anúncio na primeira página e não na secção dos obituários. Ufff....


Razão 3-reconheço que é preciso coragem e um bom par de tomates, para que estes Anónimos Assumidos venham para o Jornal "NÃO" dar a cara, arriscando inclusivamente perder os seus empregos, só para suplicar o NÃO ENCERRAMENTO deste blogue. Não dar a cara é d´homem e eu fico completamente desarmado perante este acto de suicídio colectivo por parte de anónimos refugiados no anonimato, ainda mais tresloucados que eu.

Posto isto, é impossível conseguir resistir a este pedido. Só de pensar que existe gente que paga a um Jornal para publicar um anúncio destes, até se me dá um arrepio nos joanetes. Melhor que isto, só se enviassem um "infomail" anónimo para casa das pessoas. E por agora chega de escrever, pois a comoção precipita-se sobre mim. Os meus dedos estão trémulos e os meus joelhos não suportam o meu peso corporal. Estou tal e qual um candidato à presidência da Câmara da Mealhada, mal o badalo da torre da igreja informa que são 19horas de dia de autárquicas!!

Só mesmo um "Ulisses" para executar o serviço...


«Vale a pena seriamente avaliar a hipótese de implodir a estrutura (Estádio Municipal de Aveiro).»

Ulisses Manuel, líder do PSD Aveiro, Diário de Aveiro, 15/10/09...até porque nesse dia o Hércules não está disponível e o Sansão tem não sei quê lá em casa da Dalila!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

OS GRANDES "P's" DESTA VIDA

quando pretendemos formatar documentos, dizemos...
PDF - Portable Document Format

quando pretendemos agendar tarefas, dizemos...
PDA - Personal Digital Assistant

quando pretendemos praticar o coito, mas não conseguimos, dizemos...
PDI - Puta Da Idade

quando pretendemos construir uma casa, dizemos...
PDM - Plano De Merda

UMA MÚSICA QUE DEDICO A CARVALHEIRA



O Homem Versátil

Música: Xutos % Pontapés
Letra: Xutos & Almadagente

Sozinho na câmara,
Um homem ora mas ninguém liga,
Tem um microfone,
Mas quando fala alguém o desliga.

E mais que um socialista, um belo vizinho,
Tentaram calá-lo, meter-lhe o cofinho,
Mas negando ao partido, foi "pro" "Pêpêdismo",
Ele era PS, e agora está sózinho.

E uma vontade de ganhar,
"Pra" na câmara ter um lugar,
E uma vontade de ganhar,
Até mudava para o Cabral,
"Pra" não ficar tão mal.

No quartel dos bombeiros,
No clube de caça e até nos escuteiros,
Ele tem sempre lugar,
Desde que agrade ao seu maioral.

E mais que um punho, muito mais que uma rosa,
Tentaram convertê-lo, foi ele próprio a fazê-lo,
Não requer coligação, pois não há ali união,
Não se pense que é fácil, mas ele é o HOMEM VERSÁTIL.

E uma vontade de querer,
Um poleiro à sombra do poder,
E uma vontade de querer,
Um cargo capitalista,
Ele é o 1º da lista.